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Resenha | O Curioso Caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald

Editora: L&PM
Páginas: 64
Estrelas: ✬✬✬
Skoob
Publicado originalmente em 1922 com o título de The Curious Case of Benjamin Button

Em uma introdução a “O curioso caso de Benjamin Button”, Fitzgerald escreveu que baseou esta história numa observação de Mark Twain – ele afirmava ser uma pena que a melhor parte da vida viesse logo ao começo e a pior parte ficasse para o final. Neste conto, Fitzgerald inverte esta lógica: o esperado bebê do casal Button nasce com setenta anos, um metro e 73 centímetros de altura, uma barba proeminente e muitos cabelos brancos. Para além do estranhamento inicial que o nascimento causa na Baltimore do século XIX, Benjamin, a cada dia que passa, fica menos enrugado, menos curvado e mais jovial. Publicado pela primeira vez na revista Collier’s, em 1921, o conto foi eternizado no cinema com a atuação de Brad Pitt, que interpreta Benjamin durante toda a vida. Este personagem que vai rejuvenescendo ao longo dos anos levanta uma das maiores questões da humanidade: como lidar com a inexorabilidade da passagem do tempo. 

Esse conto do Fitzgerald ficou famoso quando adaptado para o cinema, ou pelo menos, foi o primeiro contato que eu tive com a história. Ainda não assisti ao filme com Brad Pitt, mas já estava familiarizada com a ideia inicial de um homem que nasce velho e morre bebê.

O curioso caso de Benjamin Button começa no momento de seu parto, a felicidade do casal Sr. e Sra. Roger Button ao ter seu primogênito. O livro se passa no verão de 1860 e os Button fazem parte de uma espécie de elite da época.

A premissa da história é muito interessante, mas eu não gostei tanto quanto achei que gostaria do conto. O nonsense é aceito como nonsense e não há nenhuma tentativa de explicar o que aconteceu com o "pequeno" Benjamin. Ele é tratado como uma vergonha, é claro, como algo a ser escondido e "oh meu deus, o que as pessoas irão pensar?", mas não há o devido estranhamento da condição.

O Sr. Button vai a uma loja para comprar roupas para o seu filho, logo que o conhece. E tendo a escolha entre roupas de bebê, infantis, adolescentes e de adulto, ele escolhe roupas de criança. Assim foi toda a educação do Benjamin, tentando tratá-lo como bebê, ignorando que ele nasceu inteligente e bastante irônico, diga-se de passagem. Há tentativas de que ele use um chocalho e é alimentado com mamá. Eu, pessoalmente, achei a maneira com que ele é tratado mais estranho que ele ter nascido velho. Foi bastante incômodo ter essa bomba jogada e não a reação correspondente e esperada.

O conto retrata a vida de Benjamin, desde esse início conturbado até o seu fim, trazendo uma "velhice" juvenil bastante triste. É possível notar o definhamento do personagem, ainda que ficando mais jovem, eu achei a situação bastante triste.

Acredito que esse pequeno livrinho dê margem à interpretações diversas do que o autor quis dizer ou do comportamento humano mostrado ali. Foi uma leitura que incomodou bastante para tão poucas páginas. Pretendo assistir ao filme que pelo que ouvi falar, é muito bom.

E você? Já leu o conto ou assistiu ao filme? Deixe sua opinião nos comentários!

Comentários

  1. Oi, Rafa! Shame on me que não sabia que o filme era baseado em um conto! hehehe Agora fiquei bem curiosa!

    Eu gostei bastante do filme, apesar de não lembrar direito! Acho que eles também não explicam o porquê de ele ter nascido assim e o final é tristinho mesmo!

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    Respostas
    1. Nem esquenta, Dani. Até eu ver na amazon, não sabia também hahaa
      Quero ver o filme, ontem encontrei ele no netflix! Espero ver logo :D

      Beijos!

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  2. Olá! Já vi o filme com esse mesmo título e até que gostei, mas não tenho vontade de ler o livro, não é do meu estilo.

    http://www.whoisllara.com/

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    Respostas
    1. Eu ainda quero ver o filme, deve ser bem curioso! Beijão

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  3. Oi Rafa, eu nunca li nem assisti, mas tenho uma vontade enorme de ler antes de ver o filme.

    Achava que esse fato dele ter um desenvolvimento atípico, fosse detalhado durante a trama de acordo com a limitação da época em que se passa, provavelmente eu ficaria tão frustrada quanto você por isso não acontecer.

    Adorei seu texto, o blog e vou procurar voltar mais vezes.

    Beijos
    Fê - Leitora Incomum

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    Respostas
    1. Pois é, infelizmente a escolha do autor foi por uma abordagem diferente. Não deixa de ser interessante, mas eu gostaria de uma "explicação" para o que aconteceu.

      Obrigada e beijão!

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  4. Oi Rafa!
    Acho que nunca tinha lido resenhas desse livro.
    Então..eu assisti o filme e na época nem sabia que era inspirado em um conto do Fitzgerald (o único livro que li do autor foi "Gatsby" e gostei muito. Tenho vontade de ler outros). Hoje tenho vontade de ler.
    Não me incomoda essa coisa no nonsense. Pelo contrário. Acho que alguns livros perdem ao explicar certas coisas (na minha opinião, foi o caso de Sob a Redoma, de Stephen King, que dispensava certas explicações que o autor escolheu dar).
    Gostei de ver você comentar sobre isso porque era algo que eu tinha curiosidade (saber se o autor explicava o porquê da condição do personagem ou não). Gostei de saber que essa foi a opção dele. Me parece a mais adequada para o personagem, caso o contrário acho que o livro giraria mais em torno disso do que da evolução do personagem.
    Beijos
    alemdacontracapa.blogpsot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adorei sua opinião, Mariana. Realmente, acho que a escolha de não explicar o porquê de ter acontecido essa anomalia tem a ver com a abordagem que o autor escolheu. Eu, como leitora, esperava maiores explicações, porém, você, no caso, não se incomodaria com o nonsense.
      Eu ainda não li Sob a Redoma, mas já está me aguardando. Acho que vou gostar das explicações hehe

      Beijos!

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