Pular para o conteúdo principal

Resenha | Édipo Rei e Antígona - Sófocles

Editora: Martin Claret
Páginas: 143
Estrelas: ✬✬✬✬
Skoob
Publicado originalmente em (aproximadamente) 427 a.C.

Sófocles foi um dos maiores poetas dramáticos da Grécia antiga. Édipo Rei (c. 430) narra a tragédia do homem que, perseguido pelo destino traçado pelos deuses, mata o pai e casa-se com a própria mãe. Antígona (c. 442) é a tragédia da boa filha que morreu por obedecer aos mandamentos divinos em contraposição à vontade despótica de um tirano.



A minha edição traz essas duas histórias que fazem parte da "trilogia" do Édipo, falta só Édipo em Colono para completar. É questionável a escolha dessas duas obras na edição, pois a faltante se passa entre Édipo Rei e Antígona, pelo que pude perceber. De qualquer forma, ainda pretendo ler Édipo em Colono, pois adorei essas duas peças.

Eu não sou muito fã de peças, que assim como contos, sempre me passaram a impressão de estar faltando alguma coisa. Não aconteceu com essas duas. Adorei a leitura, adorei a história, mesmo sabendo do final.

Édipo Rei conta a história que já conhecemos, do filho que mata o pai e casa-se com a mãe. A peça começa com o rei Édipo atendendo ao povo que está passando por uma crise, sem colheitas, sem filhos e de mar arredio. Numa consulta ao oráculo, são informados de que essa é uma maldição dos deuses pela falta de investigação da morte do rei anterior, que foi morto num conflito na estrada. Então começa-se a investigação e bom, é trágico.

Já Antígona se passa depois de tudo isso. Antígona é filha de Édipo e Jocasta. Os dois irmãos, também filhos do casal incestuoso, entram em guerra pelo reinado. Enquanto um deles é enterrado com todas as pompas próprias da época, o outro é jogado na vala comum dos condenados, não é enterrado e segundo a crença, sua alma não poderia descansar. Antígona se volta contra as "leis dos homens" e enterra seu irmão, sendo então, condenada a morte.

Eu pensei que seria uma leitura difícil, mas não foi tanto assim. Acabei bastante envolvida e senti pelos personagens. As situações são desesperadoras, e, a escrita mais densa soa como um canto de lamentos. Consegui visualizar as cenas e fiquei com muita vontade de vê-las representadas no palco. Os gregos, com certeza, sabiam escrever tragédias.

O mais difícil da leitura é a atenção que ela requer. Eu fiz questão de ler em um dia em que estava com vontade de ler alguma coisa mais desafiadora. Fiz uma imagem mental dos cenários e dos personagens. Requer um pouco mais de exercício mental do que o livro comum. 

Por faltar o "pensamento" dos personagens, me peguei tentando interpretar além do que é dito no livro. Por exemplo, Jocasta, em certo ponto de Édipo Rei me fez indagar se ela sabia que Édipo era seu filho, ela opôs muitas objeções à investigação e por algumas falas, achei que ela sabia. Também, custei a entender qual foi o motivo da guerra dos dois irmãos em Antígona. Mas isso só são marcas da minha predileção por romances, facilmente ignoráveis frente à beleza das peças.

Ambas obras são conhecidíssimas hoje. Édipo Rei pela inspiração que deu a Freud na criação da sua teoria da psicanálise. E Antígona é uma obra que discutimos no Direito, como marco da separação entre lei dos homens e leis divinas; direito natural x direito positivo. Recomendo, se houver interesse, um programa que acompanho quase desde que entrei na faculdade: Direito & Literatura. Há um programa no qual é discutida essa peça de Sófocles - aqui.

E para dar um gostinho:
"O povo fala. Por mais que os tiranos sejam afeitos a um povo mudo, o povo sempre fala. Fala sussurrando, amedrontado, à meia luz, mas fala." (Antígona, Sófocles)

Você gosta de peças? Costuma ler clássicos antigos? Já leu estas duas histórias? Deixe sua opinião nos comentários! 

Compre na Amazon a Trilogia Tebana: A Trilogia Tebana: Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona  

Comentários

  1. Édipo Rei eu encenei uma vez, na escola, além dos estudos de psicanálise... Adoro mitologia Grega, mas fora pros trabalhos escolares nunca li =/
    Fiquei com vontade de ler...

    Beijooos

    subexplicado.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sério? Que legal! Na minha escolha, a gente não fazia muito esses projetos, lembro só de uma peça que fizemos, com bruxas e princesas (mas não lembro nem qual era a história hehe)
      Aproveita a vontade e leia! Quando a gente tem boa vontade os livros "obrigatórios" ficam muito muito mais legais hehe

      Beijão!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Resenha | Papillon - Henri Charrière

Editora: Bertrand Páginas: 728 Estrelas: ✬✬✬✬ Skoob Publicado originalmente em 1969 com o título de Papillon

Charriere, condenado à prisão perpétua por um assassinato que não cometeu, foi um dos poucos que conseguiram fugir da Ilha do Diabo, presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa, onde os presos pagavam por seus crimes sofrendo degradações e brutalidades. No livro, ele relata como foi acusado, fala de seu martírio ao longo dos anos de confinamento, além da corrupção entre os guardas e como planejou sua fuga cinematográfica. Quando publicado na França, “Papillon” foi alvo de grande controvérsia. Nunca se soube ao certo se os acontecimentos narrados de fato ocorreram com o autor, como ele alega – o que faria do livro um romance autobiográfico –, ou se a trama é fruto de sua fértil imaginação. “Papillon” é um dos relatos mais impressionantes e realistas de toda a literatura, um feito incrível de engenhosidade humana, força de vontade e perseverança. A história de um …

Top 5 | Livros Apaixonantes

Amanhã é dia dos namorados, por isso, sugiro leituras apaixonantes, que aquecem o coração, seja por seus personagens marcantes ou pelo romance do livro. São livros que li recentemente e que saltaram à mente quando pensei nesse tema.

Resenha | Os Instrumentos Mortais - Cassandra Clare (parte 2)

Se vocês viram a parte 1 sobre Os Instrumentos Mortais, vocês sabem que eu dividi a série em duas trilogias para comentar por aqui. Naquele post eu explico que, na minha opinião, essa divisão é viável e facilita para comentar sem dar spoilers. Lembrando que terá spoilers dos livros anteriores.
Os três últimos livros da série são: Cidade dos Anjos Caídos, Cidade das Almas Perdidas e Cidade do Fogo Celestial.
Bom, quero começar falando que graças a Deus no terceiro livro "descobrimos" que a Clary e o Jace não são irmãos. Eu já comentei na parte 1 que isso tinha ficado óbvio para mim desde o momento em que a autora resolveu dar essa guinada na história. Achei desnecessário, inacreditável e me irritou muito quando estava lendo.

Nessa segunda trilogia, há uma troca de vilões, agora Sebastian mostrou a que veio. Que, sinceramente, também é perceptível ao leitor desde que o personagem é introduzido.

Porém, tirando Cidade dos Anjos Caídos, que eu não gostei nada, acho que a história…